A Dona Baratinha em Cordel

A DONA BARATINHA EM CORDEL
– por Mariane Bigio

Assim se conta a história
Da formosa Baratinha
Muito vaidosa levava
No cabelo uma fitinha
Sua casa era cheirosa
Arrumada e bem limpinha

Pois a dona Baratinha
Foi limpar o seu terreiro
Capinou todo o capim
Que o cobria por inteiro
E encontrou uma caixinha
Muito cheia de dinheiro!

A notícia bem ligeiro
Se espalhou pelo Sertão
Logo veio um pretendente
Conquistar seu coração
Era o Boi, muito faceiro
Chegou cantando a canção

O Boizinho quer casar
Com a dona Baratinha
Que tem fita no cabelo
E dinheiro na caixinha!
Meu mugido é muito alto
E dura a noite inteirinha!

Mas a dona Baratinha
Achou o “muuu” estridente
E decidiu esperar
Por um novo pretendente
Foi quando veio o Jumento
Relinchando bem contente

O Jumento quer casar
Com a dona Baratinha
Que tem fita no cabelo
E dinheiro na caixinha!
Eu relincho o tempo todo
Qual alarme ou campainha!

A Barata, coitadinha
Até teve dor de ouvido
Disse “não” ao tal Jumento
Que empacou enraivecido
Em seguida veio o Bode
Muito sério e bem vestido

O Bode quer se casar
Com a Dona Baratinha
Que tem fita no cabelo
E dinheiro na caixinha!
O meu berro é imponente
Acorda galo e galinha!

Enjoada e cansadinha
A Barata dispensou
O Bode que foi berrando
E que nunca mais voltou
Então veio o Carcará
Que na janela pousou

O Carcará quer casar
Com a dona Baratinha
Que tem fita no cabelo
E dinheiro na caixinha!
Dou um grito assustador
De arrepiar a espinha!

A Barata qual rainha
Despediu-se impaciente
Da tal ave de rapina
Agressiva e saliente
Que deu espaço ao Preá
Chegando todo envolvente…

O Preá quer se casar
Com a dona Baratinha
Que tem fita no cabelo
E dinheiro na caixinha!
Sou discreto e silencioso
Minha voz é bem fininha…

E a dona Baratinha
Finalmente amoleceu!
Deu sua mão ao Preá
E o noivado aconteceu
O casório foi marcado
Quando o dia amanheceu

E quando o sino bateu
O Preá tinha sumido
Que será que aconteceu?
Haveria desistido?
A Barata ficou triste
E chorou sobre o vestido

Um vexame acontecido
Coisa pior não há
As galinhas tinham feito
Um gostoso mungunzá
E quando foram comer
Lá dentro estava o Preá

Baratinha fez “buááá”
Choradeira inconsolável
O Preá se parecia
Muito quieto e amável
Mas era muito guloso
E teve um fim lamentável

Agiu muito irresponsável
Atacando a refeição
Que ali seria servida
Durante a recepção
Se atrapalhou e caiu
Se afogou no caldeirão

Pra acalmar o coração
Da noivinha entristecida
Cacarejou a Galinha
Sua amiga tão querida
“É melhor viver sozinha
Do que ser triste na vida!”

“Essa atitude atrevida
Do infame roedor
Já demonstra as intenções
Que tinha aquele senhor
Casava por interesse
Não casava por amor!”

Foi passando a sua dor
Pois nunca esteve sozinha
Feliz junto com amigos
E o dinheiro da caixinha?
Comprou fitas e mais fitas
Viva a dona Baratinha!

Sobre Mariane Bigio

Poeta e Videasta. Eu faço versos como quem chora, ama, brinca, ri.... Eu faço versos como que vive.
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