Eu e minhas caixas…

Eu tenho uma caixinha de memórias. Guardo nela as lembranças dos bons momentos junto ao meu companheiro. Vale ticket de cinema, teatro, viagem, panfletos turísticos… qualquer coisa que lembre.

Eu tenho uma caixinha de memórias. Uma que fica dentro da minha cabeça. Uma não: várias. Cada qual com sua especificidade. Alegrias, Planos, Histórias… e Mágoas. A minha caixinha de Alegrias geralmente explode com os fogos de artifício do reveillon. Elas pulam da caixa, e se espalham pela minha alma inteira. Elas me deixam gananciosa… “que nesse ano eu seja ainda mais feliz”. Como se fosse possível. E sempre é possível, só que a gente não percebe. A minha caixinha de Planos lota no fim do ano. Entrar na academia, comprar um carro, fazer um curso, passar num teste, terminar a pós…. publicar um livro. Começar e finalizar etapas, sempre assim. Com o passar do tempo os planos realizados passam de sua caixa de origem para a caixa das Histórias, às vezes, tão sorridentes, para a caixa das Alegrias…

Os planos não concretizados ficam esperando minha ordemEu decido, se eles continuam sendo planos, ou se eles viram aprendizado, e vão pra caixa das Histórias, ou se eles viram frustração, e assim, só lhes resta a caixa das Mágoas.

A caixa das Mágoas é o grande calo no sapato. É difícil, mas é importante mantê-la completamente vazia. Na verdade, enquanto trabalho pra que as outras aumentem cada vez mais a sua capacidade, proporcionalmente me esforço no sentido de fazer com que o compartimento das mágoas seja menor que uma caixinha de fósforos. Não, não é saudável acumular mágoas. As mágoas inflam, e acabam ocupando mais espaço na gente. Mais espaço que um punhado de boas alegrias. Meu exercício vital é varrê-las, sempre que possível, para a lixeira.

Nos últimos momentos, nos suspiros finais, quando eu estiver partindo, quero abrir todas as caixas. Quero encontrar a caixa das Alegrias estufada e trasnbordante. Quero encontrar a caixa das Histórias plena, satisfeita com seu conteúdo. Quero encontrar a caixa das Mágoas vazia, e em desuso. E na caixa dos Planos, um bilhetinho, um post-it pra lembrar o único desejo que realmente importa, nesta ou em qualquer  vida ou dimensão: “Ser Feliz”.

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Sobre Mariane Bigio

Poeta e Videasta. Eu faço versos como quem chora, ama, brinca, ri.... Eu faço versos como que vive.
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