Da Palavra

Uma vez perguntei – tive a honra – pra Viviane Mosé : Por que que a gente fala tanto da palavra, da poesia em si e do ato de escrever? Por que tanto metapoema? Ela disse que é isso mesmo, poeta, escritor, tem dessas coisas, de falar sobre seu ofício, que é sua vida e pronto.

Aqui vai uma série de metapoemas metidinhos a “grands coisa”.

pra começar, um aviso:

Palavras soltas ao vento

mas que besteira

faço poesia

e não poeira.

e agora, sobre inspiração (embora eu acredite também na transpiração):

engraçada essa coisa de inspiração

– instantânea –

ontem

dispersa

rabisquei em qualquer canto

na pressa

não notei…

escrevia no verso

d’um poema já impresso

ou melhor, expresso.

um verso avesso do outro.

é como a poesia me é, agora:

de todos os lados de mim.

_____

Yoga

(puxa bem forte pra dentro do peito

e solta pela boca)

inspira

expira

mais uma vez:

inspira

expira

de novo:

inspira

expira

novamente:

inspira

expira

é uma verdadeira yoga,

essa coisa de fazer poema.

é isto, desisto:

há muito desisti da palavra

expressar o que sinto

minto:

resisti à palavra

incrédula, desconfiei de seu poder

de seu potencial

enfim, revesti a palavra.

nova, recosturada

me vesti da palavra

escrevi, escrevi.

e assim

sucumbi à palavra.

quando, por fim, entendi, 

eu era a palavra

me apaguei.

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Sobre Mariane Bigio

Poeta e Videasta. Eu faço versos como quem chora, ama, brinca, ri.... Eu faço versos como que vive.
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