com o Pé Na Rua

Engraçado com uma coisa leva a outra sem ter nada a ver – embora tenha tudo a ver. Hoje fui almoçar com minha amiga Luana (chamo-a de Luleide), que acabou de ser mamãe e estava a me contar a tal saga de se criar um outro ser – humano – nesse mundo – cão – em que vivemos. Até aí tudo bem, tudo certo. Só que uma pessoa de dieta – e eu estou de dieta, é bom que saibam – não pode  almoçar em qualquer lugar, ainda que o nobre motivo seja colocar a fofoca em dia. Por isso, escolhi levá-la (Luleide) a Tortaria, um restaurante que, apesar do nome, serve saladas e um buffet vegetariano beeem legal. Acontece minha gente, que esse local foi, e é, reduto de alguns ex (e eternos) companheiros de trabalho, no tempo em que eu fazia parte da equipe do programa de TV mais legal do mundo, o Pé Na Rua. A saudade bateu e eu escrevo.

O Pé Na Rua me rendeu as maiores dores de cabeças (atrás de entrevistados que desmarcavam, decupagens que não me deixavam dormir, assuntos cabeludos que alucinavam meus pobres neurônios!) e os maiores aprendizados de uma vida inteira. Através de cada edição do programa eu pude conhecer pessoas – e comunidades – incríveis; vivi experiências extraordinárias (e bote extra nisso); a cada pauta eu pesquisava e aprendia, pra poder transmitir ao nosso público… cresci. Eu, que me vi pequena diante da dificuldade que um monte de gente passa, de cabeça erguida, gente que é a NOSSA CARA, a cara do Brasil, gente que é gente, que não é Big, nem Brother, nem quer ser, mas vive pra fazer um monte de coisa que DÁ CERTO e ajudar a outras gentes… Eu aprendi:

– que a feira do troca-troca tem gente honesta que a toma como alternativa a um sistema mercadológico – que nem sempre é lógico nem acessível pra muita gente;

– que a legalização do Aborto deve ser discutida e quiçá realizada, uma vez que nós mulheres temos direito de decidir sobre o nosso próprio corpo;

– que a greve é um direito do trabalhador e deve ser levada a sério, inclusive pelos sindicatos;

– que puta não é xingamento. Ser puta, ou prostituta, é uma profissão, como outra qualquer. Que as prostitutas não vendem o corpo e sim fantasias;

– que a sabedoria não está, necessariamente, na erudição. Ela pode estar na cabeça e nos versos de um mestre coquista e Griô, que mal sabe ler e escrever;

– e um tanto de outras coisas mais. DIGA AÍ?!

A saudade é muita e o otimismo também. O Pé Na Rua continua, agora com nova cara e equipe, mas com a mesma essência transformadora. Vida Longa!

http://www.penarua.tv.br/

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Sobre Mariane Bigio

Poeta e Videasta. Eu faço versos como quem chora, ama, brinca, ri.... Eu faço versos como que vive.
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