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Cordéis para Cantigas

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É sempre bom recitar um cordel e cantar uma cantiga popular. É uma delícia quando o tema de uma história casa com uma música… versos dos dois lados, cada qual com sua melodia, e no final das contas, é tudo poesia! Pensando nessa ideia, escrevi um primeiro cordel do que pretende ser uma série deles, “Cordéis para Cantigas”, onde os cordéis são escritos a partir de uma cantiga popular.

Este primeiro título foi feito a partir da cantiga “Chapéu de Três Pontas“. Será que a garotada vai gostar?

chapéu de três pontas

Um cordel para muitos chapéus

Tem chapéu de toda sorte
Pra gente usar na cabeça
Se o Sol estiver forte
Ou mesmo que anoiteça!

Ainda que não pareça
Cada chapéu tem história!
Um dono que o mereça
E o deixa cheio de glória!

Tem um chapéu bem pontudo
Que quem usa é a bruxa!
Tem um que dobra e tudo
Outro que estica e puxa…

Tem chapéu de cangaceiro
Quem usou foi Lampião
O cabra era encrenqueiro!
Gostava de confusão!

Sem falar Napoleão
Com seu chapéu tão lembrado!
Montado num alazão
Cantando Marcha Soldado!

Tem chapéu de marinheiro
Que navega pelo mar
Tem chapéu de cozinheiro
Que gosta de cozinhar

E se você for pescar
Pode usar chapéu de palha
Quando o calor esquentar
A sombra não atrapalha!

Tem chapéu de Mexicano
que tem nome de “sombreiro”
É de couro, e não de pano
O chapéu lá do vaqueiro!

O coelho sai inteiro
De dentro de uma cartola
O mágico é bem faceiro
Tem varinha, luva e gola

Tem um chapéu bonitão
Que cowboy gosta de usar
Grita “segura peão”!
E começa a cavalgar

Charles Chaplin tão famoso
Usava seu chapéu côco
Dançava muito charmoso
E brincava feito louco!

Pra quem gosta de andar
De bicicleta ou a pé
Pra jogar e pra brincar
O chapéu é o boné!

Tem chapéu que tem três pontas
De curinga ou arlequim
E que no final das contas
É o mais belo para mim!

Lampião, lá do Sertão!

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lampião e maria

 

“Bem no meio da Caantiga

E não falo do “fedô”!

Pois entendam que esse nome

(Seu menino, seu “dotô”)

é dado à vegetação

que cresce lá no Sertão

onde a história se “passô”

 

E foi em Serra Talhada

Num canto desse Sertão

Que nasceu um cangaceiro

O seu nome: Lampião

Para uns muito malvado

Para outros um irmão

 

Ele era muito brabo

Tinha muita atitude

Alguns dizem, hoje em dia

Que ele era o Robin Hood

Roubava do povo rico

Dava a quem só tinha um tico

De dinheiro e de saúde

 

Ou talvez fosse um pirata

Mas não navegava não

Ele tinha um olho só

Também era Capitão

Comandava o seu bando

Com muita satisfação

 

O cabra era tão raivoso

Que se um pedacinho entrava

De comida entre os dentes

E muito lhe incomodava

Ele pegava um facão

E fazia uma extração

Que nem o dente sobrava!

 

E esse homem tão temido

Também tinha sentimento!

Um dia se apaixonou

E pediu em casamento

A tal Maria Bonita

Que lhe deu consentimento

 

Ela também era braba

E andava no seu bando

Demonstrou que a mulher

Também tem força lutando

e seguiu o seu marido

mundo afora, caminhando

 

Entre uma batalha e outra

Lampião se divertia

Gostava duma sanfona

E dançava com Maria

Seu bando fazia festa

Até o raiar do dia

 

Ele dançava forró

Xaxado e também baião

Gostava era das cantigas

Das noites de São João

 

Numa noite de Luar

Bem cansado de fugir

Da polícia que jamais

Cansou de lhe perseguir

Lampião olhou pro céu

Cantou antes de dormir:

 

“Olha por Céu meu Amor.

Vê como ele está lindo…

Olha pra aquele balão multicor

Que lá no céu vai sumindo…”

 

E assim adormeceu

Junto da sua Maria

A polícia os encontrou

Logo cedo no outro dia

 

Foi cantando uma cantiga

Sobre o céu do seu rincão

Que se despediu da vida

O temido Lampião

Que faz parte da história

e hoje vive na memória

de quem é da região

 

E é cantando esta canção

que eu encerro a poesia

de uma história que falou

de tristeza e alegria

vamos continuar no xote

me despeço com o mote:

Adeus, até outro dia!”

 

Um Cordel escrito com leveza, para iniciar a história de Lampião e Maria Bonita para a garotada! Optei por misturar estrofes em quadras, sextilhas e setilhas, pra ficar mais diverso, e no texto ainda deixo no ar um convite pra todo mundo cair na dança, que já já é São João!

 

Adivinhas de Natal em formato de Cordel!

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Xilogravura Árvore de Natal

 

 

Desde o lançamento da Coletânea “O Que Sou Eu?” de cordéis infantis para ler e colorir que  volta e meia trabalho a junção do Cordel com as Adivinhações para criar Histórias Infantis. Desta vez, eu e minha amiga e grande parceira, a também cordelista Susana Morais, fizemos juntas algumas estrofes com tema natalino. Posto aqui uma parte das estrofes que criamos e que deve virar um folheto de Cordel dentro em breve… quero ver se vocês adivinham… Feliz Natal!!!

 

Ele traz a alegria

pra este mundo cruel

distribui a esperança

vem voando pelo céu

sempre cheio de presentes

ele é ______?

 

Não é carro nem foguete

não faz fumaça nem pó

papai Noel no comando

guia mas não está só

renas puxando com força

seu transporte é o ______?

 

Puxo o trenó do Noel

Toda vez que ele ordena

Eu ajudo no Natal

Vivo em alegria plena

Sou um animal veloz

Todos me chamam de _______?

 

Nem sempre sou de verdade

Eu sou artificial

Fico sempre enfeitada

Você não acha outra igual

Eu sou verde ou colorida

Sou a  ______?

  

Ela tem que estar limpinha

Sem chulé e nem areia

Quando for tarde da noite

Depois de comer a ceia

Noel deixa um presente

Lá dentro da nossa _______?

 

 

Confissões de uma menina que adora comida junina!

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comidas juninas

“Eu adoro o São João

Uma festa tão bonita

Bandeirinhas e balão

Moça com laço de fita

Chapéu de Palha, rapaz

Tudo isso e muito mais

Que você nem acredita!

 

Mas o que eu mais gosto mesmo

É a danada da comida!

É cada coisa gostosa

Como eu nunca vi na vida!

Um cheiro bom na cozinha

Sempre peço uma provinha

Pois sou muito atrevida!

 

Minha bisa, já me disse:

“Mais parece uma formiga!

Adora doces e bolos

Assim tens dor de barriga!”

Aí eu digo sem tento:

“É que estou em crescimento…

Ou será que é lombriga?”

 

Tem bolo pé-de-moleque

Tem pamonha, mungunzá

e a canjica, que delícia

eu como até enjoar!

no intervalo da quadrilha

pra recarregar a pilha

vou correndo me fartar!!!

 

Tem bolo de macaxeira

Mandioca e fubá

O bolo Souza Leão

Paçoca pra completar

De milho também tem broa!

É tanta comida boa

Que não dá nem pra contar!

 

Milho assado na fogueira

Ou cozido na panela!

Com manteiga de garrafa

Lambuzado na tigela!

Viva, viva São João!

Viva o milho, a plantação

A roça toda amarela!”

Mandala de Versos

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MANDALA BRINQUEDOS POPULARES

 

 

Conheçam o projeto Mandala de Versos com Mandalas feitas para ler e colorir, especialmente para a criançada!

A cada semana uma nova Mandala publicada no site…

Acesse, baixe, imprima e se divirta com as Mandalas!!!

 

 

 

O Menino e a Caixa – um Cordel Natalino para Crianças!

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http://caprichodebiscuit.blogspot.com.br/2009/07/presepio.html

 

Numa casa muito pobre

um menino soluçava

ninguém sabia ao certo

por que é que ele chorava

 

era noite e estava escuro

ele logo adormeceu

e enquanto ele sonhava

algo estranho aconteceu

 

uma caixa de sapatos

foi deixada em sua porta

ela estava amarrotada

com a tampa um pouco torta

 

o menino viu a caixa

logo de manhã bem cedo

foi abrindo, curioso

mas com um pouco de medo

 

e lá dentro o que havia?

alguém pode adivinhar?

um sapato? um bichinho?

o que ele vai achar?

 

na caixinha abandonada

embrulhados com cuidado

havia dez bonequinhos

todos em perfeito estado

 

o primeiro bonequinho

que o menino descobriu

era uma bela moça

com seu manto azul-anil

 

depois outro bonequinho

foi logo desembrulhado

era um homem, muito sério

segurando seu cajado

 

havia também na caixa

três bonecos coroados

que traziam três presentes

para serem ofertados

 

três bichinhos esperavam

pra serem desembalados

uma ovelha, um boizinho

e um galo empertigado!

 

o menino deu um riso

quando abriu outro papel

era um anjo, tão sublime

desses que moram no céu

 

a caixa quase vazia…

só restou um bonequinho

que era o mais bonito

um bebê em seu berçinho

 

o berçinho era de palha

e o bebê, tão pequenino

tinha um brilho diferente

que cativou o menino

 

durante o dia todo

o menino aproveitou

brincou tanto que nenhum

bonequinho descansou!

 

na noite daquele dia

antes mesmo de dormir

guardou tudo bem guardado

não deixou ninguém abrir

 

era noite de Natal

e o menino nem lembrava

foi aí que aconteceu

o que ninguém esperava

 

uma luz desceu do céu

e entrou dentro do caixote

uma música tocou

e o menino deu pinote!

 

levantou do seu colchão

e correu pra averiguar

chegou perto eu deu um grito

não podia acreditar…!

 

o bonecos tinham vida

e cantavam em coral

uma música bonita

falando sobre o Natal

 

Maria, a bela moça

ao menino abençoou

pegou o bebê no colo

e a ele apresentou:

 

“Esse aqui é o meu filho

o seu nome é Jesus

viemos a sua casa

para trazer muita luz…

 

para que você não chore

nunca mais, de madrugada

saiba que a sua vida

poderá ser transformada

 

levante sua cabeça

basta só acreditar

estude, e não esqueça:

nunca pare de lutar!

 

um dia você verá

tudo vai ser diferente

ajude sua família…

vai ser bom  daqui pra frente!”

 

o menino agradeceu

e se encheu de alegria

ficou ali vendo a cena

enquanto Jesus dormia

 

conheceu os três Reis Magos

e José o Carpinteiro

e depois pegou num sono

agarrado ao travesseiro

 

na manhã ao despertar

ele achou ter sido um sonho

foi em direção à caixa…

teve um susto tão medonho!

 

os bonecos lá estavam

parados na posição

em formato de presépio

igual à sua visão…

 

então não foi sonho, não!

tudo tinha acontecido!

ele então olhou pro céu

pois estava convencido:

 

tudo iria mudar

e só dele dependia

ele iria estudar

como lhe disse Maria

 

O menino decidiu

fazer o sonho real…

e nunca mais esqueceu

essa noite de Natal.

Cordel infantil sobre os órgãos dos sentidos!

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Eu estou ouvindo algo…
Sinto um cheiro diferente!
Tem gosto de coisa boa…
Vejo um brilho em minha frente!
Minha pele se arrepia…
É poesia, minha gente!

Vamos falar dos sentidos
Que usamos para viver?
São cinco órgãos ao todo
Que ajudam a perceber
Tudo ao nosso redor.
Vamos contar e dizer?

Os olhos correspondem
Ao sentido da visão
Com eles podemos ver
Tudo com precisão
São a “janela” da alma
E a porta do coração!

Tem gente que precisa
de uma ajuda, somente!
Pra melhorar a visão
E enxergar perfeitamente
É aí que entram os óculos
Formados por duas lentes!

Depois vem o nosso olfato
O órgão é o nariz!
Sentir cheiro de perfume
Ah! Me deixa tão feliz!
Mas tem cheiro fedorento
Que me deixa é infeliz!

Tem dias que a gente fica
Com o nariz entupido!
Dão zente gêro de nãdã!
Quem dão ficã aborrecido?
nossã boz ficã fanhosa
o gorpo ficã ãbãtido…

E é por causa dos ouvidos
Que nós temos Audição!
Podemos ouvir músicas
Que nos enchem de emoção!
Também ouvimos barulhos,
E diversos outros sons!

Nossa língua é o órgão
Ligado ao paladar
Através dela sentimos
Gosto de bolo, manjar
Só de lembrar me dá fome
E começo a salivar!

Por último nossa pele
O maior órgão da gente!
O tato é o sentido
Que nos diz se é frio ou quente
Aquilo que nós tocamos
Nosso tato nunca mente!

Através desse sentido
Vamos diferenciar
O que áspero ou liso
Para isso é só tocar
Para sentir um carinho
É preciso abraçar!

É tão bom ter os sentidos!
Vamos sempre agradecer!
Há pessoas que não veem
Tudo que podemos ver
E outras que não escutam
O que podemos dizer…

Essas pessoas merecem
Nosso respeito e cuidado
E quem não tem um sentido
Tem outros mais aguçados!
E assim somos iguais,
sendo diversificados!

Cordel infantil sobre a Independência do Brasil

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Um pequeno texto criado para atividades infantis sobre o 7 de Setembro!

 

“O Brasil fazia parte

do reinado português

Isso foi há muito tempo

imaginem só, vocês…

 

Portugal nos explorava

levava nossas riquezas

pra suprir necessidades

vindas lá da realeza

 

Nossa aristocracia

começou um movimento

pra livrar nosso Brasil

do imposto sofrimento

 

Nosso príncipe regente

o D. Pedro, tão famoso

quis romper com Portugal

tendo sido corajoso!

 

No riacho Ipiranga

deu um grito muito forte

levantando sua espada:

“Independência ou Morte!”

 

E então estava feito

o Brasil virou nação

e D. Pedro virou  rei

depois da coroação!

 

Foi em 7 de setembro

que D. Pedro declarou

o Brasil independente

e a história perdurou

 

Por isso comemoramos

exaltando o Brasil

viva o nosso país

nossa pátria mãe gentil!”

Mariane Bigio, setembro de 2012.

 

Embora tenha sido de grande valor, este fato histórico não provocou rupturas sociais no Brasil. O povo mais pobre se quer acompanhou ou entendeu o significado da independência. A estrutura agrária continuou a mesma, a escravidão se manteve e a distribuição de renda continuou desigual. A elite agrária, que deu suporte D. Pedro I, foi a camada que mais se beneficiou. (parágrafo disponível em: http://www.suapesquisa.com/independencia/)

Ricardão, a joaninha!

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Com sua delicadeza

lá se vai a joaninha

voando por entre as flores

com vestido de bolinhas

 

pousou num galho bem alto

para poder descansar

quando ouviu formigas macho

n’ outro galho a conversar:

 

“mas que joaninha linda!

que coisinha mais faceira!

será que tem namorado

ou será que é solteira?”

 

“ei, psiu, dona Joana!

se aproxime, venha cá!”

disse um dos formigões

tentando lhe cortejar

 

Joaninha enfurecida

logo se aproximou

não disse uma palavra

quando um deles falou:

 

“que antenas delicadas

que patinhas femininas!”

e as asas, tão bonitas

a sra. é divina!”

 

Joaninha respondeu

assustando os dois insetos:

“O meu nome é Ricardão

vou passar um papo reto…

 

Não quer dizer que sou fêmea

Só por que sou joaninha

respeitem! ou lhes transformo

em formiga picadinha!”

 

sua voz era tão grave

que o galho balançou

uma das formigas macho

quase se acidentou!

 

Ricardão, a joaninha

que era macho até demais

saiu voando deixando

os formigões para tras

 

os dois logo aprenderam

que julgar pela aparência

pode ser bem arriscado

e ter sérias conseqüências!

 

(Livremente inspirado no filme “Vida de Inseto”; Guarda-chuva de joaninha na mão para a contação da histórinha!)